Dorme amor, dorme!
Élcio
Dorme amor, que eu velo o teu sono.
Serei o Cavaleiro da Triste Figura,
Insano, bravo e, ao mesmo tempo terno.
Dorme silente, sem nenhuma agrura.
Sei que um dia hás de retornar;
Até lá, serão dias de expectativas...
Continentes hei de contornar,
Dormirei com suas nativas.
Buscar-te-ei na rebentação,
Nas espumas das marés,
E perscrutarei cada constelação.
Contudo, enquanto não voltas, sou cão sem dono,
Sou flecha sem arco; sou homem dos cabarés!
Pois, dorme o amor (em mim) e eu velo o teu sono.
Élcio e seus instantes
2:42 PM
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8.4.08
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Há lágrima que jamais rola
Élcio
Há lágrima que jamais rola
Em geral isso é por orgulho.
Ela enrijece, vira pedregulho.
Pouco importa se há marola
Ou não dentro naquele peito
Não ela não rola; sedimenta.
Olhos rubros, cor de pimenta?
Não senhor, não sou afeito.
E isso, confesso me incomoda
Causa estupefação; estranheza.
Nos dias atuais está fora de moda;
Esconder sentimentos é idéia tola!
Contudo, o pai de Isabella em sua frieza
Ainda cultua a lágrima que jamais rola.
Élcio e seus instantes
5:36 PM
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2.4.08
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A Língua
Élcio
A língua é enxerida,
Contudo, indispensável.
Com memória indelével,
Limitada em sua guarida
Prova do farto à mingua
Temperos e temperaturas.
Da pele nas curvaturas;
Ao sabor de outra língua.
Do corpo é quem sinaliza,
Se verde ou vermelho,
Se avança ou finaliza.
Se a refeição se fará
No sagrado e com molho
Ou no profano, ao Deus dará.
Élcio e seus instantes
1:00 AM
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