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Élcio e seus instantes
7:10 PM
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28.5.08
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Os quatro garotos
Élcio
Aquele emprego era o primeiro
De nós quatro; garotos crescidos juntos.
Ai final do mês, mal víamos a cor do dinheiro,
Mas, bastava-nos, sentíamos-nos adultos.
E ser adulto era apenas aquilo?
Com dias de sol e camaradagem?
Se for assim, está tudo tranqüilo.
Basta diminuir um pouco a vadiagem!
Era a ilusão dos primeiro anos da mocidade,
Afinal, não seriam esses rumos,
Para sempre os mesmos.
A vida mudar-nos-ia; a começar de cidade.
Adeus dias de sol, de banhos nos rios.
Metamorfoseados, hoje são homens...sérios!
Élcio e seus instantes
4:36 PM
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14.4.08
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Dorme amor, dorme!
Élcio
Dorme amor, que eu velo o teu sono.
Serei o Cavaleiro da Triste Figura,
Insano, bravo e, ao mesmo tempo terno.
Dorme silente, sem nenhuma agrura.
Sei que um dia hás de retornar;
Até lá, serão dias de expectativas...
Continentes hei de contornar,
Dormirei com suas nativas.
Buscar-te-ei na rebentação,
Nas espumas das marés,
E perscrutarei cada constelação.
Contudo, enquanto não voltas, sou cão sem dono,
Sou flecha sem arco; sou homem dos cabarés!
Pois, dorme o amor (em mim) e eu velo o teu sono.
Élcio e seus instantes
2:42 PM
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8.4.08
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Há lágrima que jamais rola
Élcio
Há lágrima que jamais rola
Em geral isso é por orgulho.
Ela enrijece, vira pedregulho.
Pouco importa se há marola
Ou não dentro naquele peito
Não ela não rola; sedimenta.
Olhos rubros, cor de pimenta?
Não senhor, não sou afeito.
E isso, confesso me incomoda
Causa estupefação; estranheza.
Nos dias atuais está fora de moda;
Esconder sentimentos é idéia tola!
Contudo, o pai de Isabella em sua frieza
Ainda cultua a lágrima que jamais rola.
Élcio e seus instantes
5:36 PM
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2.4.08
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A Língua
Élcio
A língua é enxerida,
Contudo, indispensável.
Com memória indelével,
Limitada em sua guarida
Prova do farto à mingua
Temperos e temperaturas.
Da pele nas curvaturas;
Ao sabor de outra língua.
Do corpo é quem sinaliza,
Se verde ou vermelho,
Se avança ou finaliza.
Se a refeição se fará
No sagrado e com molho
Ou no profano, ao Deus dará.
Élcio e seus instantes
1:00 AM
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25.3.08
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Sonhos Empalados
Élcio
Os sinos da catedral estão moucos
E um vento frio transpassa o peito.
Esvoaçam meus sonhos, poucos
Sensatos e do lógico, nada afeito.
Quantos sonhos foram empalados
E, que ficaram para trás, nas paralelas
De meus caminhos empoeirados?
Jamais sepultados. Mazelas!
À frente, anjos frios e estáticos
Aguardam-me os derradeiros
Passos; vacilantes e patéticos.
Ainda assim, creio que quando o novo atirar sua lança,
Virá que eu vi; no flamejar dos candeeiros.
A única chama (tênue) dessa tal esperança!
Élcio e seus instantes
2:18 PM
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18.3.08
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Codinome: Saudade
Élcio e Ana
E o fim há muito anunciado
Agora abria as portas do inferno
Para se mostrar, para ser encarado.
Adeus sonhos de amor eterno!
Ali ela decidiu e sacramentou:
“Era a última vez que choraria
Por ele, acabou. Bastou”.
Dali em diante tudo mudaria.
E desligaram seus computadores.
Cada qual em seu escuro quarto,
Curtiriam por horas a fio as suas dores.
“A noite enorme, tudo dorme, menos o teu nome”.
E o dia nasceu e das lembranças fez-se o parto.
Nasce a saudade; para ambos o codinome.
Élcio e seus instantes
2:34 PM
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5.3.08
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Células-Tronco, sim ou não?
Élcio
Cabe às religiões permanecerem na inobservância
Da evolução humana porque prezam o dogmático;
Pretendendo assim, induzir às trevas da ignorância
Os seus seguidores, ante assunto tão sintomático
Como o das células-tronco? Assunto tão explorado
Pelo quarto poder e que a todos chama atenção!?
As religiões arvoraram-se e têm discursado
Que, preservar a vida é a sua real intenção.
Ciência e religião seguem a digladiar.
E entre elas, a decidir entre o tubo de ensaio,
As boas intenções, ou os dogmas a odiar,
Uma nação, que se vê na esteira
Do tempo a observar (de soslaio)
Pois, que, teme a “hipocrisia rasteira”(1).
(1) Termo usado por Herbert Vianna, 46, líder da banda Paralamas do Sucesso.
Para o músico, a posição dos católicos é uma "hipocrisia rasteira".
Fonte: Folha On Line em 03.03.08 18h50.
Élcio e seus instantes
4:15 PM
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26.2.08
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Paulicéia minha paixão
Élcio
Ao mesmo tempo em que ela é sensual
É maldita, fria e a todos faz impressionar.
Conquista com seu olhar casual
Para depois, sem cerimônias, aprisionar.
Alguns ao encará-la, encantam-se
E nunca mais dali sairão; qual pedras.
Já há aqueles que ao imaginá-la benzem-se,
Outros a esconjuram, outros lêem Esdras
E dela fogem como se vissem um cascavel
Cortam caminho. Algo que por certo Medusa invejaria.
Ambígua, ela é dura, mas, ao mesmo tempo afável.
Foi e ainda o é vilipendiada por homens sem compaixão
Mas, sobrevive, pois tem raízes sacrossantas fincadas
No pátio do colégio de São Bento. Paulicéia, minha paixão.
Élcio e seus instantes
5:05 PM
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20.2.08
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“Tudo neste mundo tem seu tempo”
Élcio
Tudo tem início, meio e fim. Tudo.
Nada escapa ao implacável cronos-deus.
De monarcas a presidentes, com ou sem estudo.
Os anjos que já nos berços rumam para os mausoléus.
Civilizações tidas por fantásticas,
Simplesmente desapareceram;
Cultuaram mistérios, danças ritualísticas.
E, na esteira do tempo, feneceram,
Sem deixar sequer algum rastro.
Ditaduras que viveram seu final.
Agora felizmente, quem passa é Fidel Castro.
“Antes tarde do que nunca”, passou o seu tempo.
Para a humanidade, menos um déspota, afinal,
“Tudo nesse mundo tem seu tempo”.
Élcio e seus instantes
12:31 AM
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